Carteira de dividendos é um bom negócio?

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Não é nada incomum encontrarmos, no mercado, investidores de perfil conservador que queiram montar uma carteira exclusivamente formada por dividendos, em uma tentativa de se proteger da volatilidade da bolsa de valores e transformar suas aplicações em uma espécie de “renda fixa”. Entretanto, existem diversos erros nessa estratégia que, por si só, podem tornar a empreitada um fracasso traumático e afetar até mesmo o controle de despesas de seu orçamento. Vamos a algumas considerações.

A primeira coisa que deve ficar clara para quem direciona investimento em renda variável é que ela jamais deixará de ser variável, independente de sua estratégia. Não precisa ser um suicida, investidor de “micos” em day-trade (operações de curtíssimo prazo). Quem opera position trade (investimento de longo prazo), em ações de empresas sólidas e líderes de setores maduros da economia (as chamadas Blus Chips) também pode “quebrar”, caso a companhia venha a apresentar declaração de falência no dia seguinte. E isto não é nada incomum. Você se lembra da Mesbla, Transbrasil, Vasp?

Montar uma carteira exclusiva de empresas que pagam bons dividendos (lucro apurado pela empresa, anual ou semestralmente, dividido proporcionalmente entre os acionistas) também é arriscado tanto pela imprevisibilidade da empresa quanto pelo citado acima. Por mais que você seja um expert em análise fundamentalista, haverá sempre alguma informação que não foi passada ao mercado e, portanto, você não sabe.

 

Uma variável enganosa é o famoso Dividend Yeld, um índice presente nos balanços das empresas que muitos investidores inexperientes seguem cegamente. Acontece que o Dividend Yeld nada mais é do que os dividendos divididos pelo preço da ação. Oras, se esse índice é alto, não significa que a empresa é ótima para montar uma carteira desse tipo… se ela estiver com o preço das ações em forte queda, é evidente que o DY será alto, dando uma falsa sensação de que ela paga bons dividendos.

Outra questão a ser observada é o que o famoso economista norte-americano Gregory Mankiw chamou de “custo de oportunidade”. Um dos mais famosos princípios do seu livro, que se tornou a bíblia dos economistas, o “custo de oportunidade” corresponde àquilo que você deixa de fazer para ir em busca de outra coisa. Ou seja, ter uma carteira composta apenas por dividendos pode fazer com que você deixe passar muitas oportunidades para ganhar com as oscilações do mercado.

 

Por fim, dividendos é porção sobre o lucro. Se uma empresa tem lucros baixos e paga altos dividendos, ela certamente está distorcendo sua situação real e, certamente, não conseguirá se manter assim por muito tempo. Controle de despesas e boas aplicações envolve raciocínio crítico.

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