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Alta da Bovespa: ainda vale a pena comprar ações?

Mês após mês a Bovespa tem batido novos recordes de pontuação. Desde maio, a Bolsa engatou em um ritmo de alta e no começo desta semana, pela primeira vez na história, chegou a ultrapassar os 76 mil pontos durante o pregão. Ótimo para quem já estava investindo e bom para quem ainda pensa em comprar ações, segundo especialistas. Apesar da valorização acelerada das ações, o cenário é positivo para a Bolsa.

Isso não significa, porém, que o mercado acionário seja indicado para todo tipo de investidor. Continua valendo o tradicional conselho: antes de decidir investir em ações, o interessado deve definir se aceita correr algum tipo de risco nas aplicações.

Está em dúvida se este é o momento de investir? O GuiaBolso ouviu 4 especialista sobre as perspectivas para a Bolsa. Confira abaixo os comentários:

Sandra Peres, analista chefe da corretora Coinvalores

“Vislumbramos um cenário favorável para o mercado de Bolsa entre o fim desse ano e o início de 2018. Ainda que o Ibovespa já apresenta expressiva valorização, quando acompanhamos o índice atualizado pelo IPCA ou em dólares fica claro que ainda há espaço para novos valorizações, além disso, alguns indicadores econômicos estão vindo melhores. Todavia, a partir do segundo trimestre do próximo ano o contexto já fica mais anuviado, pois a corrida das eleições presidenciais certamente trará muito volatilidade a bolsa paulista.”

Felipe Miranda, estrategista-chefe da Empiricus

“Estamos diante de um bull market. O mundo cresce a taxas acima do que todos esperavam a priori, com inflação sob controle e muita liquidez. Isso confere um ambiente muito interessante, ao menos no curtíssimo prazo (a ressalva é sempre relevante), para ativos de risco e mercados emergentes em geral.

Em relação ao Brasil, os últimos dados de atividade também têm superado as estimativas, em consumo e no mercado de trabalho; a inflação sistematicamente fica aquém das projeções e o governo; e as reformas (trabalhista, TLP, teto dos gastos, privatizações, etc.) seguem seu curso.

Diante desse cenário, vamos duas situações interessantes: i) os lucros corporativos podem crescer mais do que se espera, favorecendo as ações; e ii) os juros podem cair inclusive para baixo de 7%.

Até onde vai o Ibovespa? Impossível dizer. Há fundamentos e espaço para uma trajetória de alta que deve durar muito tempo. O importante é saber que os movimentos são sempre maiores do que imaginamos, para cima e para baixo, e também são também mais rápidos do que projetamos.

Mesmo os mais avassaladores bull markets passam por correções vigorosas. No meio de uma grande tendência de alta, as ações caem 20%, 30%, 50%. O investidor precisa estar preparado.

Em sendo verdade que a trajetória do Ibovespa em curso é apenas o início de um grande bull market estrutural de vários anos, o ideal é que o investidor tenha um pé em ativos de muito risco.”

Luis Gustavo Pereira, da Guide Investimentos

“Temos revisado as nossas projeções de Ibovespa para melhor, considerando perspectivas de médio prazo mais favoráveis (risco político no curto e médio prazo ligeiramente menor + cenário externo extremamente favorável). Da mesma forma, diminuiu, portanto, a probabilidade de um cenário mais pessimista. O cenário externo segue extremamente benéfico, e o noticiário político tem melhorado nas últimas semanas. Ao mesmo tempo, dados de economia melhores também tem melhorado as projeções de PIB, deste e do próximo ano. Prova disto têm sido as revisões de PIB do Boletim Focus. Isso, por sua vez, se reflete nas perspectivas de lucros das empresas, que nos últimos anos, não raro, eram constantemente revisados para baixo.

Seguimos aqui com um call “neutro” em relação ao Ibovespa (condizente com o perfil de risco de cada cliente, é claro), embora vejamos, cada vez mais, um potencial de alta mais interessante. Considerando o atual cenário/premissas, vemos um Ibovespa num patamar ao redor de 72-75 mil pontos como “justo”. Num cenário mais otimista, com potencial para ir rumo aos 82-84 mil pontos até o final do ano (próximos 3 ou 4 meses). Até o final de 2018, mantidas premissas otimistas, o Ibovespa tem potencial de ir rumo aos 100 mil pontos, em nossa opinião. Portanto, num cenário de CDI em queda, há retornos esperados interessantes pela frente, apesar da alta no ano superar os 25%.

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Além dos “fundamentos”, parece haver espaço para um aumento de exposição à bolsa, por parte de agentes até aqui mais “conservadores”, num contexto de juros que ainda eram atrativos. Esta migração para uma carteira com maior exposição à risco pode ser o caso de instituições como os fundos de pensão, por exemplo. Aliás, esta “migração” também tem sido observada nas carteiras de vários fundos multimercados nas últimas semanas/meses, adicionando risco e retorno esperado, antecipando ganhos adicionais à frente.

Por fim, do lado dos “riscos”, temos que ressaltar que a deterioração fiscal segue sendo uma preocupação. Ainda não vimos melhora clara no curtíssimo prazo, as metas fiscais para 2017 e 2018 seguem sendo desafiadoras, e há necessidade crescente na aprovação de reformas, como a da previdência. Além disto, seguimos contando com um cenário externo favorável para ativos de risco, e países emergentes, de modo geral. Este último ponto, em especial, merece atenção especial. Segundo nossos cálculos, 80% da queda da percepção de risco-país se deve à melhora do cenário externo, deixando clara a “dependência” que ainda temos aos investidores externos.”

Nicolas Takeo, analista da Socopa

“As perspectivas para a bolsa brasileira no médio e longo prazo seguem positivas. Apesar da valorização de mais de 25% em 2017, com o Ibovespa emplacando novos recordes de alta, a avaliação é de que há ainda considerável espaço para ganhos no mercado de ações brasileiro, tendo em vista o novo patamar de juros que se desenha no país.

Uma forma fácil de enxergar essa nova realidade de juros no país é olhar para o impacto que ela traz para a última linha do balanço das empresas. Enquanto no passado recente, quando os juros básicos orbitavam a casa de 14% a.a., as despesas com juros chegavam a consumir quase 80% do resultado operacional das empresas; hoje, com juros caminhando para 7% a.a., esse número representa menos de 40% do resultado operacional das empresas, o que significa dizer o bottom line (resultado final) do DRE deve praticamente dobrar esse ano, justificando um patamar de preço para o Ibovespa muito acima dos atuais 75 mil pontos, para algo mais próximo de 90 mil pontos.

Contudo, no curto prazo, a cena política brasileira complicada deve continuar trazendo volatilidade para o mercado de ações doméstico, o que aumenta os riscos para quem está considerando entrar em bolsa nos atuais níveis de preço.”

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comentários

 
 

Erotides Rodrigues da Costa comentou:

Muito npa essas informaçoes para quem pensa em comprar açoes

21/09/2017, 20:10

 

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