O que o dólar tem a ver com a minha vida?

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Edição: Isabella Mello

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Você já deve ter percebido que o dólar está dando o que falar. Nos últimos meses, ele marcou presença no Top 3 dos investimentos e foi tema de muitas conversas por conta de suas oscilações. Mas, se você não pretende fazer uma viagem internacional e também não tem interesse em investir em fundos cambiais, provavelmente, está bem confortável, certo de que ele não tem nada a ver com a sua vida. Acertei?

Mas, cuidado! A moeda americana está, sim, muito relacionada às suas finanças – mesmo que você se encaixe naquelas características. Então, vem com a gente entender como ela funciona e como interfere na sua vida:

O que faz o dólar variar?

O dólar não está atrelado apenas à situação econômica dos Estados Unidos, seu país de origem. Por ser a moeda mais comercializada do mundo, ele também é influenciado por outras grandes economias, como a chinesa, que costumam manter uma ativa relação de troca entre produtos nacionais e norte-americanos.

Exatamente por isso, o dólar sofre variação de acordo com os acontecimentos do lugar em que está sendo negociado. Se um país está passando por instabilidade política ou financeira (ou as duas juntas), a volatilidade do valor da moeda é quase certa em virtude das incertezas presentes no contexto em que está. Quando ocorreram as manifestações por reforma política em 2014 aqui no Brasil, por exemplo, todo esse cenário gerou desconfiança do mercado em relação à economia brasileira. Assim, os investidores externos perderam a confiança, retiraram os dólares do mercado nacional e, justamente pela diminuição da oferta, a moeda passou a ter um valor maior aqui.

Mas não é só isso. As negociações de importação e exportação entre países – que, geralmente, acontecem com base no dólar – e as operações de reservas internacionais administradas pelo Banco Central também fazem com que a moeda norte-americana tenha seu valor afetado em relação ao real.

Tudo bem. Já entendi essa parte. Mas o que isso muda pra mim?

Já que muitas coisas que consumimos são negociadas em dólar, quando ele sofre alterações, os preços desses produtos também mudam – e isso altera completamente o seu planejamento mensal, certo? No caso de grandes altas da moeda estrangeira, existe tendência de inflação e, aí, o valor dos itens consumidos sobe.

Os primeiros impactos são sentidos no mercado de matérias-primas importadas, como o trigo, que ficam mais caras quando vendidas para a indústria brasileira. Assim, produtos feitos deste ingrediente — como pães, bolos e massas — costumam ficar mais caros também e pesam mais no bolso do consumidor final (eu e você).

E olha só outro exemplo: desde 2011, a gasolina que a gente usa aqui vem sendo importada. Então, se o dólar aumenta, o preço desse combustível também vai comprometer uma parcela maior da nossa renda.

Os produtos não importados também não escapam da influência do dólar, não. Se a moeda subir em relação ao real, eles também ficarão mais caros aqui, já que será mais interessante vendê-los para o exterior. Nessa categoria entram, por exemplo, o café, o açúcar, os itens derivados de soja e outros que são muito atraentes no mercado internacional.

Se o dólar alto pode causar o aumento do preço de vários produtos, em quais casos ele é bom?

O dólar mais caro promove os produtos brasileiros no exterior: lá, eles ficam mais baratos e competitivos. Aqui, a produção nacional também acaba beneficiada, já que, com os produtos importados custando mais caro, os consumidores tendem a adquirir mais itens brasileiros (apesar de, em alguns casos, eles também sofrerem aumento de preço, como eu te contei antes). Isso aquece a economia e ainda promove o aumento de empregos.

O turismo é outro mercado influenciado. Se as passagens aéreas e os custos das viagens internacionais ficam mais caros, a tendência é que os brasileiros prefiram curtir destinos no próprio país.

E o que é beneficiado pelo dólar baixo?

Assim como no caso anterior, o turismo também sofre consequências com a baixa do dólar. Como os gastos no exterior estão atrelados à moeda, se ela estiver mais barata, mais gente escolherá destinos internacionais.

A aquisição de importados é outro fator que aumenta – e isso vale tanto para você, que já compra o produto prontinho, quanto para as indústrias, que adquirem matéria-prima mais barata lá fora.

Além desses dois fatores, a baixa do dólar também costuma ajudar a reduzir a inflação brasileira. Isso ocorre porque, com a maior concorrência dos produtos importados e a diminuição do preço das matérias-primas, os custos dos produtos nacionais tendem a ficar mais acessíveis – nosso bolso agradece!

Dá para se dar bem com a oscilação do dólar?

Sim, mas precisa de bastante atenção! A nossa dica é ficar de olho nas notícias para compreender como anda a situação do país e das grandes economias. Isso te ajuda a tirar proveito da situação e comprar a moeda, caso você precise, com uma cotação mais baixa.

Se você está se programando para estudar fora ou viajar a turismo, outra boa dica é começar a comprar de forma programada a moeda estrangeira, evitando deixar para a última hora, pois acontecimentos inesperados nas grandes economias podem afetar o valor de um dia pro outro.

Já se você já estiver viajando, evite ao máximo usar o cartão de crédito nas compras no exterior, porque, além do IOF — que é bastante alto —, a taxa de câmbio utilizada será a do dia do pagamento da fatura, e não a da compra. Assim, variações podem ocorrer e aumentar consideravelmente sua conta.

 

Resumindo: o dólar tem tudo a ver com a sua vida! O mais importante é manter a atenção para não acabar gastando mais do que precisaria com as oscilações da moeda.

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