5 regras para finanças em casal

Falar de dinheiro pode ser um assunto delicado entre casais. Mas é necessário ter objetivos em conjunto com seu parceiro.

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Por Carol Stange, especialista em finanças pessoais

Publicado em 18/05/2021

Um dos principais segredos para um casamento harmonioso é uma vida financeira familiar equilibrada e sob controle – até aí, nenhuma novidade, certo? O que pode causar algum assombro é saber que, oficialmente, 5 em cada 10 casamentos acabam tendo os conflitos financeiros como principal motivador para a separação conjugal (os meus 15 anos de experiência como mentora financeira me deixam com vontade de arriscar um percentual maior). 

A falta de alinhamento sobre as finanças pessoais antes do casamento facilita uma entrada na vida a dois tão perigosa quanto caminhar desavisadamente por um terreno minado: dívidas secretas no nome de um dos cônjuges, contas que têm continuamente seu pagamento em atraso porque é esperado que o parceiro tome à frente, ajuda financeira para os familiares sem o consentimento do cônjuge e parceiros que comprometem o orçamento familiar com seus gastos pessoais são alguns dos exemplos comuns de conflitos matrimoniais envolvendo dinheiro.

Como o casamento não combina com dívidas e ressentimentos, separei a seguir algumas condições imprescindíveis para que os casais começam essa fase tão especial da vida com o pé direito. Confira!

Condição 1 – Falar sobre finanças

Falar sobre dinheiro deve fazer parte da rotina do casal. Abertamente e com frequência. Acredite, muitos casais evitam falar sobre dinheiro porque acreditam se tratar de um assunto delicado e causador de problemas futuros. Ao fugir de um tema que faz parte de só mais um dos que envolvem a vida a dois, o casal abre as portas para o atraso de pagamentos, para a falta de poupança e para o estresse financeiro. 

Condição 2 – Ter uma reserva financeira

O casal pode (e deve) manter sua individualidade financeira, mas é essencial que exista um planejamento em conjunto não só para o pagamento das contas básicas da casa, como água, gás, energia e internet, como também para os projetos futuros do casal.

O primeiro passo é a construção da Reserva Financeira, um dinheiro que protege o casal de possíveis endividamentos causados por imprevistos financeiros e que também serve para que oportunidades sejam aproveitadas, como uma aquisição relevante nesse início de vida a dois. Pensar em problemas e imprevistos é a última coisa que um casal jovem quer pensar, mas situações inesperadas fazem parte da vida e transpor essa dificuldade será bem mais fácil se a família estiver preparada. 

Condição 3 – Se preparar para a chegada dos filhos

Alguns estudos apontam que criar um filho até sua independência financeira pode custar aos pais até R$2 milhões de reais. Deixando de lado os prazeres que envolvem a parentalidade, o fato é que desde sua concepção até a vida adulta, um filho gera gastos através das mais variadas necessidades e situações. Falamos aqui de gastos com a mãe, ainda gestante, passamos pelas despesas com o bebê, com a criança em idade escolar, com o adolescente e chegamos à vida adulta do filho. 

Idealmente, um casal pode começar a se preparar para a chegada do novo membro na família com dois anos de antecedência.

Condição 4 – Ter uma ferramenta para organização e controle

Tanto faz que o casal escolha uma planilha, um aplicativo ou um caderno para anotar as despesas e projetar os meses futuros. O fundamental nesse ponto é que a ferramenta seja funcional e que ambos estejam comprometidos em usá-la no dia a dia.  

Pode acontecer de um dos cônjuges ter mais facilidade para fazer os controles financeiros do casal. Não há problema em concentrar essa tarefa com quem tem mais afinidade com o tema, desde que ambos estejam confortáveis com essa situação e que a transparência entre o casal seja mantida.

Condição 5 – Definir os papéis de cada um nas despesas da casa

É comum que um dos cônjuges possa contribuir mais do que o outro no orçamento doméstico. Uma forma justa de resolver esse impasse é definir percentuais de cada um para as despesas rotineiras e investimentos futuros. Por exemplo: ambos podem separar 50% de suas receitas mensais para o pagamento das despesas com a casa e 10% para investimentos, assim, mesmo que haja diferença nos valores recebidos de cada um, a participação é proporcional para ambos. 

Quando se escolhe dividir a vida com alguém, a parte financeira é só mais um dos pontos a serem divididos. Ter espaço para o diálogo, construir um planejamento financeiro em conjunto e compartilhar sonhos são os pilares de uma vida financeira em harmonia. Que venham pela frente longos anos felizes em família! 

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