Crise do COVID-19: pego crédito agora ou espero por mais tempo?

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Por Guilherme Campos

A pandemia do coronavírus trouxe incertezas para a economia e nenhum governo ainda consegue determinar por quanto tempo essa crise vai continuar e qual vai ser o impacto final na sociedade e na economia. As pessoas já começam a se preparar caso tenham que apertar os cintos e organizar os gastos de uma forma diferente da que fazem nos dias de hoje.

Elas também sabem que não é impossível uma redução das horas trabalhadas, mudanças nos valores recebidos mensalmente e sabem que eventualmente podem ter que recorrer a pacotes de ajuda concedido pelos governos.  

Outra dúvida diz respeito à rapidez para se tomar determinadas decisões levando em conta o período de turbulência provocado pelo Covid-19. Uma das orientações mais importantes no momento é a de colocar no papel todas as despesas e as estimativas de gastos para os próximos meses. 

Esse exercício também inclui contabilizar todo o dinheiro em patrimônio, investido e em reserva de emergência que você e a família mais próxima tem à disposição. Tudo isso precisa ser mensurado antes de dar os passos seguintes e planejar o que se pode fazer até tudo voltar ao normal.

Caso seja possível se equilibrar com o caixa disponível e os valores economizados, melhor ainda. O problema é se essa conta não fecha e o orçamento já começa a ficar no vermelho. O que levar em conta antes de pedir o empréstimo? É melhor esperar mais um pouco para fazer isso?

Inclua algumas perguntas chave antes de decidir

Além dos cuidados de sempre que o Guiabolso sempre indica antes de pegar um empréstimo, em tempos de coronavírus em alta é preciso refletir um pouco mais e se atentar a outras informações tão importantes quanto. 

Lembre que continua valendo o cuidado de diferenciar a taxa de juro do Custo Efetivo Total do empréstimo. Além disso é obrigação abusar dos concorrentes e fazer uma série de simulações para já saber qual vai ser a parcela a ser paga e o período que terei que me comprometer até quitar a dívida. Outro bom caminho é o de projetar uma crise ainda maior e se preparar para ela.

Veja abaixo 5 perguntas antes de decidir sobre o empréstimo pessoal.

1 – Quanto de dinheiro vai entrar nos próximos meses?

Evite, em um primeiro momento, contar com qualquer tipo de ajuda vinda das cidades, estados ou do governo Federal, mesmo sendo um empresário que teve que fechar as portas do seu estabelecimento. É preferível aumentar a estimativa depois que contar com um valor, ele não chegar e comprometer o orçamento lá na frente. 

A mesma regra vale para os trabalhadores autônomos e informais. Se ainda estiver exercendo suas atividades ligue o sinal de alerta, já que é possível ficar impedido de atuar já nos próximos dias ou semanas. O trabalhador em regime CLT deve considerar o próprio salário, mas não esquecer que ele pode mudar em função de redução das horas trabalhadas ou outra medida de restrição que possa ser adotada pelo empregador. 

2 – E como ficam os gastos?

O pente fino pela vida financeira e a projeção para fazer a triagem do futuro também inclui como vão ser os gastos. Será que eles vão aumentar nos próximos meses? Com mais pessoas em casa, pode ser que as contas de água e luz subam. Por outro lado, outras despesas tendem a cair como as com estacionamento ou garagem no trabalho, combustível e transporte público.

A maior preocupação é ter visibilidade das despesas e tomar cuidado com parcelas e o uso de aplicativos para pedir comida, por exemplo. Pensando no âmbito de empresas, não esqueça de contabilizar os períodos de aumento de gastos por causa de algum imposto, manutenção ou contrato com fornecedores. 

3 – É possível conseguir alguma renda extra?

Os tempos são difíceis, então, vai ser mais complicado conseguir um dinheiro a mais explorando habilidades manuais e o tempo livre ou arrumando afazeres que possa usar a própria qualificação profissional. A tendência é de retração do mercado e menos demanda ou contratações nesse momento. Por outro lado, com mais tempo em casa é possível checar objetos que não tem tanta utilidade e podem ser vendidos. Veja algumas ideias clicando aqui.

No caso das empresas, vale cogitar o sistema de vendas online, desde que seja possível chegar até o conhecimento dos compradores em potencial e se tenha como enviar os produtos adquiridos.

4 – Como fazer a readequação dos gastos?

Seja na empresa ou na vida particular a crise provocada pelo Covid-19 leva as pessoas a modificarem a forma como lidam com os próprios gastos. É importante avaliar cada despesa que se tem e cogitar se ela pode ser cortada (mesmo que temporariamente), reduzida ou renegociada com os credores. Esse valor a mais pode ajudar a manter o caixa no azul ou ampliar a sobrevida antes de recorrer a outro tipo de ajuda. 

5 – A reserva de emergência já foi usada?

Outra opção que precisa ser acionada é a reserva de emergência. Esse dinheiro é guardado justamente para servir de suporte em momentos como esse. O recomendado pelos especialistas é de deixar entre 4 e 6 meses de salário ou rendimento mensal em uma aplicação com bastante volatilidade para não se perder tanto na hora de sacar a quantia. 

Agora sim, a decisão final

Depois de analisar todos os detalhes envolvendo o empréstimo e responder às 5 perguntas, a decisão sobre pegar o empréstimo agora ou esperar mais um pouco temendo uma crise ainda maior pode ser respondida.

Caso o fluxo de caixa pessoal ou da empresa esteja no azul, o momento é de se equilibrar e continuar no mesmo ritmo por mais um tempo. Assim, se o pior vier, consigo recorrer a algum apoio e se não vir, não tenho dívidas quando a situação começar a se normalizar.

Se o valor for pequeno e passível de ser coberto no mês seguinte por um ganho que vai entrar, a decisão ainda pode ser a de aguardar.  Mas se o orçamento já estiver no vermelho, o momento é diferente. Caso a dívida seja mais alta ou envolva créditos mais caros, como o cheque especial e o rotativo do cartão de crédito, prefira a busca pelo crédito pessoal o quanto antes. 

E não se preocupe com os prazos para negociação e recebimento do dinheiro em conta. Com a chegada de novos representantes no mercado de crédito e de bancos, já é uma realidade bastante comum a de fazer simulações de empréstimos pela internet.

O ambiente online também dinamiza a entrega dos documentos exigidos para se redigir o contrato e fechar negócio. Em algumas situações, nem é preciso sair de casa para isso. Outra grande ajuda: os valores negociados costumam ser liberados em questão de poucos dias. Tudo para o cliente resolver o problema o quanto antes. 

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