Faça suas próprias escolhas: seu dinheiro nada tem a ver com o do seu vizinho

Competition-in-Business-1

Embora pensamos que agimos independentemente ( é claro que aceitaríamos os 100 reais), um experimento conduzido pela Universidade de Harvard em 1995 revelou que não somos tão independentes quantos pensamos.

Nesse experimento, pesquisadores deram aos professores e alunos duas opções:

1) Ganhar 50 mil dólares por ano enquanto todos os outros ganhariam 25 mil ou

2) Ganhar 100 mil dólares enquanto os outros ganhariam 200 mil.

Nesse caso assumiu-se que os preços das coisas se manteriam iguais, então mais dinheiro significaria ter mais poder de compra. Financeiramente, a segunda opção era muito melhor. Quem não gostaria de ganhar mais dinheiro, independentemente do ganho dos colegas?

Acontece que 50% dos participantes responderam que não queriam mais dinheiro. Para esse grupo, a opção ideal era ter mais dinheiro que todo mundo, mesmo que isso significasse menos poder de compra.

Alguns de vocês devem estar pensando, ah esse estudo já tem mais de 20 anos, certamente aprendemos a lição e escolheríamos a melhor opção para nossa situação individual, não?

Na verdade, não.

Competition-in-Business

Resultados semelhantes também foram observados em um estudo recente realizado por Jona Linde e Joep Sonnemans na Universidade de Amsterdam. Nesse estudo, os participantes receberiam um parceiro, alguém que foi identificado como sendo semelhante a eles e então jogariam um jogo juntos. Após o jogo, foi oferecido aos participantes opções para possíveis pagamentos de loteria.

Cada loteria indicava o pagamento tanto para o participante quanto para seu parceiro e o potencial risco de cada. Porém, em vez de escolherem  a opção com maiores ganhos e menores riscos, os participantes ficavam com aquela que iriam se sair melhores que seus parceiros, mesmo que isso lhes custassem potenciais ganhos.

Ambos os resultados parecem loucos. Por que na terra onde ninguém se contenta com menos, ficaríamos satisfeitos só se os outros ganhassem menos ainda? Parece haver uma luta entre comparação e dinheiro. Em vez de nos concentrarmos no que é do nosso interesse, comparamos com os outros e, assim, tomamos as decisões.

Essa comparação relativa representa um movimento que sempre tenta nos colocar acima dos outros, mesmo que isso nos custe alguma coisa. No entanto, o problema é que sempre haverá alguém para se comparar. Por isso, com essa estratégia dificilmente estaremos satisfeitos.

Na busca do que queremos, achamos que há tantas coisas fora do nosso controle, quando na verdade essas coisas não estão relacionadas com nossos próprios valores.

Que tal começarmos a colocar um filtro nas nossas decisões? Pense na próxima vez que estiver diante de uma escolha, se levamos em consideração como ela ajuda ou atrapalha os outros.

Quando estiver em dúvida, olhe para os absolutos. Olhe para os números e faça a matemática. Será que estou indo mais perto dos meus objetivos ou de outra pessoa? Em última análise, se acabar se aproximando do que valoriza, tanto faz o que está a sua volta. E esta é uma ótima escolha.

Adaptado do texto “Beware Financial Comparisons with Others”, de Carl Richards.

]]>

Deixe seu comentário aqui

Seu enderço de e-mail não será publicado. Os campos obrigatórios são marcados com *