Investimentos – a construção do seu futuro

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Por André Massaro, professor e especialista em finanças e investimentos.

Existe uma divisão, no mundo das finanças pessoais, que é dedicada às questões que envolvem “dinheiro faltando”. É nessa divisão que estão assuntos como crédito, endividamento, consumo e, até certo ponto, planejamento financeiro.

Porém, há uma outra divisão que é dedicada às questões associadas a “dinheiro sobrando”. E, nessa divisão, são tratados temas como investimentos, seguros e previdência, pois aqui se trata de construir um patrimônio e (tão importante quanto) protegê-lo.

Quando uma pessoa consegue “colocar a casa em ordem”, ela muda de uma divisão para outra. Os problemas envolvendo falta de dinheiro ficam para trás e as preocupações são voltadas, agora, para o que fazer com o dinheiro que está sobrando.

Para uma boa parte das pessoas, falar em “preocupação por sobrar dinheiro” pode soar bizarro e até insensível, mas essa preocupação existe e é legítima. E a razão é muito simples: É muito mais fácil perder dinheiro do que ganhar.

Você pode levar a vida toda para construir um patrimônio, mas bastam uma ou duas decisões erradas para o seu patrimônio “virar fumaça”.

Obviamente, é muito melhor se preocupar por causa de dinheiro sobrando do que faltando. Mas, ainda assim, é uma preocupação e uma fonte de angústia. Por isso, precisamos definir, criteriosamente, estratégias de investimento e de proteção patrimonial.

O pré-requisito para investir

Para investir dinheiro, existe apenas um requisito: Ter dinheiro.

Por isso, antes de investir, certifique-se de que sua vida financeira está em ordem, de que você não tem dívidas (pelo menos aquelas dívidas de consumo, que são mais caras) e que você está conseguindo poupar dinheiro.

“Poupar” vem antes de “investir”. Você precisa ter um bom planejamento financeiro para que sobre dinheiro e, de preferência, sobre dinheiro todo mês, para que você possa investir de forma regular.

O problema de investir dinheiro enquanto ainda se tem dívidas é que é praticamente impossível obter, nos investimentos comuns, um retorno que seja maior do que o custo de uma típica dívida de consumo.

No entanto, algumas pessoas fazem isso, até mesmo por uma questão de conforto psicológico. São aquelas pessoas que gostam de dizer “eu estou devendo dinheiro, mas também tenho algum dinheiro guardado”. Isso pode parecer reconfortante, mas é uma armadilha psicológica chamada “contabilidade mental”, que nos faz perder dinheiro.

Por isso, se você tem dívidas, elimine-as antes de começar a investir.

Conheça a si mesmo

Assumindo que você já esteja com a sua vida financeira em ordem, o próximo passo é saber “quem é você”, pela perspectiva de um investidor.

Isso significa descobrir qual é o seu perfil e como você lida com os riscos dos investimentos. Isso por que TODO investimento traz algum tipo de risco embutido, e é SEU papel conhecer seu perfil de investidor, de forma a saber quais são aqueles investimentos adequados para você e, mais importante, em que proporções.

Encare os ativos financeiros como se fossem os ingredientes de uma receita. Você consegue deixar esse prato mais “suave” ou mais “apimentado” conforme as proporções dos ingredientes. A questão, aqui, é saber se você prefere algo mais suave ou se você tem estômago para algo um pouco mais forte…

No jargão das finanças, os investidores que curtem algo mais apimentado são chamados de “agressivos”. Os que não gostam de sentir o estômago em chamas são os “conservadores” e aqueles que ficam no meio são os “moderados”.

Então… Saiba quem você é!

Os ingredientes de sua carteira de investimentos

Uma vez que você saiba qual é o seu perfil de investidor, você já pode começar a pensar em quais os ativos financeiros que são os mais adequados ao seu perfil.

Existem inúmeras opções no mercado financeiro, mas, basicamente, todos os investimentos se dividem em duas famílias: Renda fixa e renda variável.

E este, também, é um momento interessante para fazer a sua “pesquisa de campo”, avaliando quais são as melhores instituições financeiras que oferecem investimentos e quais são as melhores opções do mercado.

Cuidando daquilo que você tem

Um aspecto extremamente importante no mundo do “dinheiro sobrando” é o gerenciamento de riscos… exatamente para que você continue tendo dinheiro sobrando!

E, sobre riscos, é importante chamar a atenção para esse aspecto do “gerenciamento”. Riscos não podem ser evitados (corremos riscos simplesmente por estarmos vivos!), mas eles podem ser gerenciados e podemos diminuir nossa exposição a eles.

No caso dos investimentos, a melhor (e mais eficaz) ferramenta de gestão de riscos é a diversificação (a velha e boa regra de “não colocar todos os ovos na mesma cesta”). Diversificar é uma forma de “diluir” os riscos. Então observe: ao diversificar, a gente não “elimina” os riscos, mas diminui o impacto deles se algo ruim acontecer.

Outra ferramenta de gerenciamento de riscos (desta vez não da sua carteira de investimentos, mas de sua vida como um todo) é a reserva de emergências. A reserva de emergências é uma parcela de seu patrimônio que deve ser investida, necessariamente, em investimentos líquidos e de baixo risco.

É essa reserva que vai te dar fôlego financeiro caso surja um imprevisto ou caso você perca sua fonte de renda.

E um terceiro tipo de ferramenta de gerenciamento de riscos são os seguros. A característica interessante dos seguros é que eles são um recurso usado não para diminuir a probabilidade de um risco se concretizar, mas sim para usar DEPOIS que esse risco se concretiza.

Imagine um seguro de seu veículo. Você vai fazer o possível para ele não se acidentar ou não ser roubado. Mas, se acontecer… Aí entra o seguro em ação.

Existem seguros para diversos tipos de riscos, com diversas coberturas e características diferentes. E, da mesma forma que nos investimentos, é importante fazer uma autoavaliação (para ver quais são seus principais riscos pessoais e quais aqueles que devem ser cobertos por seguros) e fazer uma pesquisa de mercado para saber quais os seguros disponíveis e suas características.

Há razão para preocupação?

E, como vimos ao longo do artigo, “ter dinheiro sobrando” também é uma fonte de preocupação (ainda que uma “boa” preocupação). Não pelo dinheiro em si, mas sim porque é muito fácil ir da situação de ter dinheiro sobrando” para uma situação de “não ter dinheiro nenhum”.

Por isso, é fundamental se elaborar uma estratégia pessoal de investimentos (que envolve a definição do perfil de investidor e a seleção dos ativos financeiros em si) e uma política de gestão de riscos, que envolva a diversificação dos investimentos, a formação de uma reserva de emergência e a contratação de seguros para aquelas coisas de grande valor e que não podem ser facilmente substituídas.

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