O que fazer se perder o emprego?

desemprego

Por Guilherme Campos

O avanço do novo coronavírus já tem trazido impactos negativos diretos nos rumos do mercado financeiro e no funcionamento de empresas e dos setores de comércio e de serviços aqui no Brasil. Além disso, as recomendações de reclusão como forma de combate à doença devem provocar mais transtornos indiretos no curto, médio e longo prazo. 

Muitos analistas temem uma espécie de efeito dominó que pode acabar com muitas pessoas desempregadas. E se você é uma das vítimas desse movimento e acabou de perder o emprego, saiba que existem formas de se resguardar, não ficar desamparado e até mesmo se reciclar profissionalmente para encontrar uma nova oportunidade de seguir em frente.

O Guiabolso tenta, abaixo, te mostrar a luz no fim do túnel e indicar os possíveis caminhos das pedras nesse momento de dificuldade.

A mente comanda o corpo e pode facilitar esse (re)começo

Caso tenha sido um dos atingidos por esse momento atípico evite entrar em desespero ou acabar com a própria autoestima. Tenha em mente que assim como você, outras pessoas tiveram o mesmo destino, muito por causa de uma situação fora do comum que prejudica a economia não só do Brasil, mas de muitos outros países.

O caminho começa com a arrumação da casa, literalmente. Aproveite para colocar as informações sobre as finanças em dia e saber direitinho todos os seus gastos e quanto de dinheiro ainda tem à disposição. Vale lembrar, que a demissão do emprego sem justa causa vai te render o pagamento de alguns direitos como saldo do salário relacionado àquele mês, 13° salário proporcional aos dias trabalhados naquele ano, aviso prévio, férias vencidas e proporcionais (caso se apliquem), fundo de garantia e multa rescisória do FGTS.

Todos esses valores somados podem te ajudar pelo tempo suficiente para reorganizar o currículo, se requalificar profissionalmente e encontrar outra oportunidade no mercado de trabalho. Vale lembrar que ainda é possível ter acesso ao seguro desemprego. Vamos entender um pouco melhor como funciona cada uma dessas “fontes de recursos”

Saldo do salário. É o vencimento proporcional aos dias trabalhados no mês da demissão. Portanto, caso tenha sido mandado embora na metade do mês, teria direito a receber por 15 dias trabalhados.

13° salário proporcional. A ideia é bastante parecida e dá ao trabalhador direito de receber o valor equivalente ao total de meses que ele trabalhou antes da demissão, seja um, dois, três ou 11 meses.

Aviso prévio. Caso tenha sido desligado do trabalho de uma hora para outra, sem uma notificação prévia de, no mínimo, 30 dias para que pudesse se precaver e até procurar outro emprego, o trabalhador demitido tem direito a receber essa espécie de compensação pela decisão. 

Férias vencidas e proporcionais. Pela legislação, o trabalhador tem direito a 30 dias de férias depois de 12 meses trabalhados e a receber a remuneração do mês acrescida de mais um terço por causa disso. Então, se o funcionário tem um período de férias pendente terá que receber o valor proporcional a ele. O mesmo vale para as férias futuras a que teria direito, alguns meses lá na frente caso não fosse demitido.

FGTS. Todo mês a empresa precisa depositar um valor correspondente a 8% do salário do trabalhador em uma conta no nome dele na Caixa Econômica Federal (entenda mais aqui). Quando ele é demitido ele tem direito a sacar essa quantia acumulada durante o período em que ele atuou na empresa. Nos últimos meses, o governo tem permitido saques do FGTS sem, necessariamente, o empregado ter sido demitido, como forma de tentar estimular as economia do Brasil. Como medida de compensação ao coronavírus, está sendo cogitada a autorização desses saques novamente. 

Multa rescisória do FGTS. Quando a empresa demite um funcionário sem justa causa também precisa indenizá-lo com uma multa de 40% do valor acumulado por ele no FGTS. 

Outro ponto de apoio que o trabalhador demitido sem justa causa pode buscar é o seguro desemprego. Esse benefício é uma assistência temporária concedida pelo Governo Federal para ajudar o desempregado até ele se recolocar no mercado de trabalho. A pessoa pode receber até cinco parcelas debitadas diretamente na conta bancária indicada por ela. O valor depende do rendimento recebido no último emprego e da última oportunidade em que utilizou o benefício.

(Re) adequação de alguns hábitos

Apesar desse dinheiro recebido e da possibilidade de contar com as parcelas do seguro desemprego, o trabalhador precisa lembrar que os gastos mensais dele e da família continuam os mesmos. Portanto, ele precisa ser organizado para não gastar todo o dinheiro recebido de uma vez e depois não ter como cobrir os custos que chegam a cada 30 dias.

Além de uma planilha detalhada dos gastos e do controle do que e de quanto está sendo pago, a pessoas sem emprego pode tentar identificar gastos desnecessários que podem ser cortados e outros que podem ser renegociados, ainda mais em tempos de readequação por causa do novo coronavírus. 

A lista pode ser longa e incluir desde a mensalidade escolar e de cursos que estão sendo feitos, até planos de Televisão a cabo e telefonia e despesas com o serviço de streaming de filme e música e aplicativos para pedir comida ou corridas de carro. 

Um outro aliado nesse período que pode conceder mais tranquilidade ao profissional nesse momento de transição é a reserva de emergência. Os especialistas recomendam que se tenha guardado em uma opção de investimento com muita liquidez (ou seja, é possível ter acesso a esse dinheiro rapidamente e sem perder parte dele ao sacá-lo) o equivalente a um período entre 4 e 6 meses de salários. 

Caso você tenha formado esse colchão de segurança, pode incluir esse valor na soma do que tem à disposição até se recolocar no mercado de trabalho. O valor pode ser a diferença na procura mais tranquila por uma nova oportunidade de emprego. Caso não tenha essa quantia, se programe para começar a formá-la assim que voltar a trabalhar. 

Dicas pra voltar ao trabalho

Em paralelo à arrumação da vida financeira e do detalhamento do dinheiro à disposição e dos gastos futuros é recomendado que se faça um balanço profissional da sua trajetória até aqui. Responder perguntas como “se gosto do que faço” e “onde poderia atuar a partir de agora” fazem todo o sentido e te ajudam a saber para onde ir. 

Mesmo que tenha convicção de continuar no mesmo ramo de atuação, vale revisitar suas ações de destaque nos últimos tempos. Isso precisa ficar em destaque no currículo que será endereçado às vagas de emprego que te interessam e às empresas que podem absorvê-lo como mão de obra. 

Além dessa breve apresentação profissional, também é importante ter atenção com suas outras habilidades (as chamadas soft skills), que podem ser facilidade com outros idiomas, domínio da tecnologia, habilidade de liderar e trabalhar em equipe.

A cereja do bolo para ser cobiçado pelo mercado de trabalho é estar atualizado profissionalmente e em sintonia com as novidades praticadas na sua área de atuação. Então, em caso de um bom tempo longe dos cursos de formação e capacitação, é importante refletir se não vale a pena frequentar um deles. Nesses tempos de coronavírus, algumas instituições estão oferecendo oportunidades bastante interessantes sem cobrar qualquer valor dos interessados (outra opção aqui)

E em caso de dificuldade de encontrar o emprego desejado?

Infelizmente a preocupação e os efeitos negativos do coronavírus podem coibir o ritmo de contratação de novos profissionais pelas empresas, por mais bem preparados que eles possam estar. A mentalidade desses lugares pode ser mais conservadora e preocupada com o futuro.

Então, o momento financeiro da pessoa interessada em se recolocar pode ser determinante no que se fazer. Caso o fluxo de ganhos e gastos esteja menos apertado uma saída pode ser a de ter mais um pouco de paciência e participar de fóruns e grupos nas redes sociais ligados à sua profissão. 

Esse engajamento, associado a ativação da sua rede de contatos e influência, pode ser a chave para encontrar as vagas e finalmente voltar ao trabalho.

Caso a situação financeira esteja mais delicada, a saída pode ser pela busca de uma solução temporária até a economia voltar ao eixo normal. Então, não descarte descer um degrau e aceitar um emprego que pague menos, mas pelo menos te proporcione um ganho mensal e fixo. 

Nesse meio de tempo, você pode continuar a busca pelo que realmente te interessa, pensando em mercado de trabalho. 

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