O que não te contaram sobre a nota de R$200

O que não te contaram sobre a nota de R$200

O real, nota que conhecemos, passou a valer no Brasil em 1994. Nessa época, a nova nota veio para ajudar a reduzir a inflação e hoje, 26 anos depois, a inflação acumulada desde esse dia é de 521%! Ou seja, um produto que naquela época valia R$100, hoje equivale a R$600.

Ainda não chegamos no momento de precisar criar uma nova nota para corrigir essa distorção, mas em breve teremos uma nova nota circulando pelo Brasil: a de R$200. Ela vai ser estampada pelo lobo-guará e cerca de 450 milhões de cédulas serão impressas ainda este ano. 

Quando foi criado a nota?

Será a primeira vez, em 18 anos, que o real ganhará uma cédula de novo valor. Ela se juntará aos seis valores de cédulas hoje em circulação: R$ 2, R$ 5, R$ 10, R$ 20, R$ 50 e R$ 100. E está exatamente nos efeitos da pandemia a explicação do Banco Central sobre por que lançar esta nova cédula, que vai começar a circular no fim de agosto.

O Banco Central diz que a decisão, aprovada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), foi tomada para “atender ao aumento da demanda por dinheiro em espécie que se intensificou durante a pandemia de covid-19”. Em março, a quantidade de dinheiro vivo com a população era de aproximadamente R$ 216 bilhões, segundo o Banco Central. E a partir desse momento, esse montante começou a subir rapidamente e hoje está em R$ 277 bilhões.

Por que foi criada?

Foram dois fatores que levaram o lançamento dessa nova nota: o primeiro motivo foi o aumento da demanda por cédulas, que é o que o Banco Central chama de entesouramento, ou seja, dinheiro guardado em casa. “Não só o Banco Central do Brasil, mas bancos centrais de outros países observaram o entesouramento desde que a pandemia começou. Isso não é um fenômeno típico do nosso país. Em momentos de incerteza, as pessoas tendem a fazer saques e acumular reservas. O dinheiro, em tempos de incerteza, é sinal de segurança, estabilidade”, disse a diretora de Administração do Banco Central, Carolina de Assis Barros.

Por outro lado, o auxílio emergencial injetou muitos recursos para esse mesmo público, que guarda dinheiro em casa e faz pagamentos em dinheiro.

Por que tanta polêmica?

Que o lançamento da nota de R$ 200 gerou grande repercussão, não é novidade, desde críticas no sentido de que facilitaria lavagem de dinheiro até memes com imagens de como deveria ser a nova cédula do real.

Mas por que um alarde tão grande depois do anúncio? Para alguns economistas, parte da explicação está na surpresa, já que não havia notícias de que o Banco Central estudava lançar a nova nota. Já a outra parte, é explicada pelo “efeito psicológico” que uma nota de R$ 200 pode ter em um país que viveu um grande período de alta inflação. 

Impactos na economia e no seu bolso:

A divulgação da nova nota gerou muita polêmica nas redes sociais, desde memes até medos reais com a economia. Esse assunto chegou em círculos que não costumam falar de finanças, investimentos e economia, e levantou também uma série de especulações e preocupações acerca dos seus motivos, bem como do seu significado. Mas calma, vamos conversar sobre cada possível impacto:

Dificuldade na hora do troco:

Avaliando com o olhar do Banco Central, a medida facilita a logística de distribuição de notas. “Isso vai fazer com que menos notas precisem ser carregadas”, disse, em referência à distribuição de moeda em um país tão grande quanto o Brasil.

Um ponto negativo da nova cédula é o troco que ela vai exigir. Por exemplo, para quem recebe o auxílio emergencial, em vez de sacar 6 notas de R$ 100, o saque será de 3 notas de R$ 200. Pessoas que pegarem nota de R$ 200 vão fazer transações de baixo valor, o que vai exigir grande volume de notas menores para dar troco.

Um dos primeiros questionamentos que surgiram enquanto o Banco Central fazia o anúncio foi: mas isso não vai contra um movimento mundial de ampliar a quantidade de transações por meio digital?

Embora em muitos países a circulação de cédulas esteja diminuindo e muitos estabelecimentos nem aceitem dinheiro vivo, o Banco Central bateu na tecla de que, no Brasil, o pagamento em espécie ainda é o meio mais frequente. Uma pesquisa feita em 2018, 60% dos entrevistados responderam que o dinheiro era a forma de pagamento que eles mais utilizavam.

Crimes:

Notas de valor de face elevado podem se tornar mais fáceis no transporte e no armazenamento de altas somas em espécie, mais difíceis de rastrear pelas autoridades. Logo, no país onde o dinheiro sujo viaja em malas, meias e cuecas, é um bom ponto com que se preocupar.

Mas esta é uma questão em diversos países, e a iniciativa brasileira vai na contramão do resto do mundo. O Banco Central respondeu dizendo que o Brasil tem um “arcabouço contra lavagem de dinheiro extremamente elevado” e que isso “não depende” do valor das cédulas

O que levou a escolha do animal:

O símbolo da cédula mais valiosa no Brasil contrasta com a realidade do lobo-guará. O animal que vai estampar a nota de R$ 200 tem passado por uma fase de pouca valorização: perdeu parte de sua população nas últimas décadas. 

Uma das esperanças é que a imagem do lobo-guará na cédula de R$ 200 traga mais destaque à espécie para que as pessoas se atentem às dificuldades vividas por esses animais.

De acordo com o Banco Central, o lobo-guará foi escolhido para ilustrar a nota com base em uma pesquisa feita em 2001 para escolha de animais para novas cédulas. Os dois mais votados, tartaruga-marinha e mico-leão-dourado, foram utilizados, respectivamente, nas cédulas de R$ 2 e de R$ 20. O terceiro foi o lobo-guará.

Mas vamos concordar que o doguinho caramelo tem muito mais a ver como o Brasil, né?

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