O que seu filho pode aprender quando o assunto é dinheiro

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1) Não esconda os números
Numa tarde de Sábado decidi visitar uma loja de barcos que havia próxima de casa. A decisão não foi tão repentina quanto parece. Na verdade, após contar ao meu filho sobre um barco a vela que tive durante minha juventude, tive cada vez mais certeza que ter um barco de novo seria uma ótima escolha para reviver esses momentos.
Dentro da loja, era impossível disfarçar o fascínio dele. Mas, a partir do momento que ele perguntou quanto o barco que eu ia comprar custava, de repente, me vi sob um grande dilema. Não apenas escondi o preço, como também agravei o erro fazendo algumas brincadeiras para despistá-lo: “custa cinquenta e quatro divido por quatro vezes mil”.
Nessa hora eu devia ter mostrado ao meu filho o preço e explicado: 1) por que um barco custa tudo isso; 2) por que eu acho que vale a pena todo esse dinheiro; e 3) como poupamos ao longo dos anos para conseguir comprá-lo.
Em resumo, eu conseguiria colocar a decisão de compra dentro de um contexto, que ajudaria meu filho a compreender esses três pontos levantados.
2) Não assuma que seu filho pensa o mesmo que você
Uma das melhores partes de ser pai é ver seu filho tomar algumas decisões e tentar coisas novas. Num desses desejos repentinos, tão comum na infância, minha filha decidiu entrar para o time de futebol do clube. Após alguns meses de muito treino, surgiu a oportunidade de seu time viajar para o campeonato estadual. Eis que depois da primeira reunião da viagem, nossa filha volta para casa com a empolgante notícia que o pacote de cinco dias sairia apenas R$ 5.000,00.
Após ver a nossa reação de espanto, ela rapidamente nos disse que esse valor incluiria o uniforme, transporte, acomodação e comida. Enfim, para ela esse valor tão alto valeria a pena com tanta coisa inclusa no pacote.
Para nós, pais, essa desconexão acontecia não porque éramos uma família que gastasse muito dinheiro, ou que nossas crianças não soubessem o valor do dinheiro. Mas, nesse caso nunca havíamos dado a elas um ponto de referência. Seja porque R$ 5.000,00 não é uma quantia muito familiar para uma criança ou por ela nunca ter viajado com um grupo antes, não haviam parâmetros para entender que esse valor não fazia o menor sentido.
Como nós imaginávamos, nossa filha estava enganada. Os R$ 5.000,00 seriam para cobrir o orçamento da equipe inteira. O custo por jogador era próximo de 1/10 desse número. Enfim, mas esse susto que tomamos deixou perfeitamente claro para nós que tínhamos uma lição a aprender.
Assim, da próxima vez que você estiver falando com seus filhos, marido ou qualquer outra pessoa sobre dinheiro, certifique-se de que vocês estão falando a mesma coisa. Não evite falar sobre números. E, por favor, não cometa o erro que eu fiz, de não ter uma conversa que seja mais específica. Dessas experiências, estou convencido de que haveria menos questões sobre dinheiro na nossa família se tivéssemos nos preocupado menos sobre o que os outros acham e mais sobre o que nossa família acha.
Agora, eu quero que cada um deles saiba o quanto custa cada coisa, para pesarem os prós e contras de comprar isso ou aquilo. Quero que meus filhos entendam exatamente o quanto significa R$ 5.000,00 para fazerem um julgamento justo sobre o preço de algo e aquilo que estão recebendo em troca. E, o mais importante, não quero que o meu desconforto impeça meus filhos de terem as informações e habilidades necessárias para tomar decisões financeiras inteligentes.
Adaptado do texto “Talking Numbers With Your Children”, de Carl Richards.
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