Os riscos do crédito consignado!

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Por Carol Stange, especialista em finanças pessoais

Você entrou no vermelho, caiu no pagamento mínimo do cartão de crédito ou mesmo precisa fazer algumas melhorias urgentes na casa e encontrou no crédito consignado a sua salvação? Bem sabemos que essa linha de crédito é uma ótima maneira para conseguir recursos sem pagar altas taxas de juros, mas é preciso cuidado; tem gente caindo em verdadeiras ciladas por achar que o crédito consignado é isento de riscos. Mas não é. 

Separei aqui os 4 maiores pontos para você prestar atenção antes de assinar o contrato:

É golpe! 

Atenção! Há uma enxurrada de empresas, oferecendo de forma bastante  agressiva, crédito consignado “simples, rápido, taxas baixíssimas e sem a necessidade de apresentar documentos”. O ditado antigo já avisa: “quando o milagre é demais, o santo desconfia”. Tenha certeza de que a empresa para a qual você trabalha valida (e indica) a empresa que está cedendo o crédito consignado. Pesquise também sobre a reputação da instituição em sites como Reclame Aqui e Procon, e principalmente, não dê senhas, faça depósitos ou antecipe “pagamento de taxas” (além de não liberar qualquer dado cadastral antes de ter certeza da idoneidade da empresa).

Leia (bem) o contrato.

Parece bobagem, mas você ficaria surpreso com a quantidade de gente que lê o contrato superficialmente e depois se surpreende com algumas cláusulas. Há determinadas modalidades de crédito consignado que pedem um bem como garantia de pagamento. Sem ter a total consciência das condições do empréstimo, a pessoa pode estar colocando seu carro ou casa em risco de execução, que traduzindo, é quando o banco ou instituição financeira toma posse do seu bem. Em geral, com 90 dias de atraso, já é enviada uma carta padrão exigindo o reembolso imediato do empréstimo.

Se houver demissão…

Pedir demissão ou ser mandado embora não cancela o crédito consignado. Por lei, quando um funcionário é demitido, as parcelas do consignado podem ser cobradas diretamente na conta do trabalhador ou por meio de boletos bancários. A forma depende de previsão contratual. 

Se o colaborador foi mandado embora, é preciso procurar o banco para quitar o empréstimo consignado ou então renegociar as condições de pagamento. É comum a taxa de juros aumentar, afinal, o banco ou instituição financeira não poderá mais contar com o recebimento certo que o desconto automático em folha lhe garantia. 

E ainda – a empresa para a qual o colaborador trabalhava tem o direito de descontar até 30% do crédito consignado diretamente do valor da rescisão – ou seja, se a rescisão é no valor de R$ 10 mil, a empresa pode usar até R$ 3 mil para pagar parte do empréstimo que ex- colaborador tem de saldo devedor. Sem dúvidas, esse ponto pode atrapalhar bastante a vida financeira do recém demitido até sua recolocação profissional.

Nem sempre há portabilidade

Se o colaborador saiu de uma empresa e foi direto para outra,  é preciso se informar se essa nova empresa também tem convênio com a mesma instituição que cedeu o crédito consignado. Caso positivo, é preciso envolver o RH da nova empresa. Caso contrário, vale a pena comparar se fazer um novo empréstimo para quitar o antigo com o outro banco não é mais vantajoso do que arcar com o aumento das taxas de juros. Se a demissão foi por justa causa e não há outro emprego à vista, a portabilidade não é permitida. O jeito, então, é se organizar para pagar a dívida com o banco.

Se você perdeu o contrato, entre em contato com o Serviço de Atendimento ao Consumidor do banco ou  empresa financeira que lhe cedeu o crédito consignado.

Tudo na vida tem seus riscos. É preciso entendê-los antes de qualquer decisão financeira. Como educadora financeira, tenho a obrigação de lembrar que o crédito consignado pode ser uma das melhores opções de crédito no mercado, mas se não forem tomados os devidos cuidados, ele pode se transformar numa verdadeira armadilha. 

Um beijo e vejo você no próximos conteúdo sobre finanças pessoais. Até mais! 

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