Outubro rosa: ficar careca para mim foi um desapego, um renascimento, um recomeço

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Silvia Perrone, esposa e mãe de médicos, descobriu o câncer de mama aos 50 anos (atualmente ela tem 56). Mas ela mesma se descreve como uma paciente não muito comum. Não teve medo, encarou tudo com serenidade e, onde muito poderiam desanimar, ela encontrou forças: “Aquela careca é que era eu. Lenços nem pensar. Assumi com orgulho a minha careca. Ficar careca para mim foi um desapego, um renascimento, um recomeço”, diz.
Dando sequência à campanha do Outubro Rosa do GuiaBolso, hoje trazemos uma mini entrevista com Silvia, que relata como descobriu, como foi o tratamento e outros detalhes da jornada contra o câncer de mama.
Como você descobriu?
Descobri no banho, um carocinho meio dolorido. Não dei muita importância e fui levando a vida. Minha filha que na época fazia medicina insistiu para eu marcar um mastologista. Marquei para 3 meses depois. Fomos viajar nas férias e quando voltei já fiz uma mamografia e um ultrassom de mama. O marido fez o pedido para levar esses exames para o mastologista. Na época em que descobri o câncer de mama eu estava com 50 anos, usando anticoncepcional, não estava na menopausa. 
Você se enquadrava no grupo de risco (idade, fumo, sedentarismo, etc)?
Nunca pensei nisso na época, mas estava sim. Minha mãe teve câncer de mama com setenta anos (descobriu bem no início, operou e retirou um quadrante e se recuperou super bem e hoje está com 82 anos) e minha tia, irmã mais velha da minha mãe, teve câncer de mama aos 38 anos, operou, tratou e hoje está com 89 anos. Para completar, fiquei 3 anos sem ir no ginecologista. Casa de ferreiro, espeto de pau. Nunca fumei e sou sedentária, mas sempre com uma saúde ótima.
Leia mais:
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Como foi o tratamento?
Eu não fui uma paciente muito comum. Quando cheguei no mastologista com os exames, já recebi o diagnóstico de câncer de mama. Ele me tranquilizou dizendo para não me culpar por nada que eu tivesse feito ou passado. Eu vim geneticamente marcada. Depois de alguns outros exames complementares foi marcada a cirurgia de mastectomia total da mama esquerda. Dali para frente sabia que começaria uma jornada longa e cheia de aprendizados. Fiz a cirurgia, tirei a mama e alguns linfonodos que ficam na axila. A recuperação foi muito boa.
Um mês depois veio o resultado do exame das peças que foram retiradas e tive que voltar para cirurgia e tirar toda a cadeia de linfonodos por segurança. E lá fui eu de novo para o centro cirúrgico. Depois da recuperação da segunda cirurgia, fui para o oncologista.
Resultado, 8 sessões de quimioterapia a cada 21 dias. Divididas em 4 brancas e 4 vermelhas. Essas últimas que fazem perder o cabelo. Ficava no hospital umas 6 horas fazendo a quimioterapia. Minhas filhas me mostraram alguns blogs de mulheres que estavam passando pela mesma situação ou que já haviam passado por isso. Me ajudou muito! Em nenhum momento fiquei procurando coisas sobre câncer na internet. Apenas fui vivendo um dia de cada vez. Não tive enjoos, dores, e foram poucos efeitos colaterais. Apenas um cansaço muuuuuuito grande nos primeiros dias após na sessão de químio, pois as drogas eram muito fortes e cumulativas.
Mas passado isso, a gente vai vivendo devagar e seguindo a jornada. E volta 21 dias depois e faz tudo de novo, até completar todas as sessões. Quando a químio acaba a gente fica meio acabadinha, mais gordinha por causa da cortisona. Careca, sem cílios, sobrancelhas e pelos. A gente fica com cara de minhoca. Mas continuei vaidosa e me maquiando e me arrumando. Ia para a químio toda bonitinha.
https://www.youtube.com/watch?v=aHxf2dU7UgY
Quais foram os medos?
Medos? Ficar careca? Não tive. Comprei uma peruca linda, minha irmã me deu lenços. A peruca usei pouquíssimo. Me dava calor e lenços não usei mesmo. A peruca não me representava naquele momento. Aquele momento eu estava careca. E aquela careca é que era eu. Lenços nem pensar. Assumi com orgulho a minha careca. Ou as pessoas achavam q eu estava com câncer (o que era verdade) ou achariam que eu era uma coroa muito fashion. Ficar careca para mim foi um desapego, um renascimento, um recomeço. Foi muito de boa mesmo. Mantenho o cabelo bem curtinho até hoje depois de 5 anos.
Medo de morrer? Não tive. Para falar a verdade nem pensei nisso. A vida fica meio em suspensão. Medo da mutilação, da cicatriz, de ficar sem a auréola? Nem passou pela minha cabeça. Não é uma imagem muito bonita, mas eu estava viva, sem o tumor. E a jornada continuou. Próxima escala, a radioterapia. 30 sessões diárias. Menos no fim de semana. Todo dia, de segunda a sexta. Medo? Nenhum. Encontrei pessoas que trabalham com isso maravilhosas, aparelhagem moderna e segura e tratamento personalizado para o cada caso. Tive uma queimadura na região perto do pescoço que já tinha sido avisada que poderia acontecer. Mas que passou.
Qual recado você deixaria para as mulheres?
Bom, não fui uma paciente muito típica. Eu encarei tudo com muita serenidade. Parecia que a minha alma estava preparada para enfrentar este momento. Tive o cuidado de ficar bem para não preocupar a família. Pais, sogra, filhas, marido e conhecidos. O bem estar deles dependia do meu. Tive a sorte de ter um tratamento digno, e só poderia agradecer e nunca reclamar. Nunca maldizer, nunca cobrar algo de Deus. Ele foi maravilhoso comigo. Algum conselho? No meu caso o pensamento positivo, o agradecimento diário, a fé me ajudaram muito. Agradecer sempre. Mesmo pelos maus momentos. Eles fazem parte. E acreditar que tudo tem um propósito e tirar o melhor disso. Posso dizer que é uma grande jornada, com altos e baixos. Mas que valeu a pena e me tornou uma pessoa melhor. Hoje ainda continuo o tratamento tomando remédio via oral, por 5 anos, e fazendo um acompanhamento completo a cada seis meses com o oncologista. E a lição que temos que ir ao ginecologista pelo menos 1 vez por ano para fazer um controle eficaz.
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