PIRÂMIDES FINANCEIRAS - Elas voltaram!

Você já ouviu falar em pirâmides financeiras? Altos ganhos, baixo ou nenhum risco e garantia de rentabilidade. Não é possível que alguém caia nessa, né?

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Por Carol Stange, especialista em finanças pessoais

Publicado em 04/05/2021

Olá! Carol Stange por aqui para falar com você sobre um assunto muito sério que após um breve período de silêncio, retornou com força total: as  pirâmides financeiras. Altos ganhos, baixíssimo ou nenhum risco e garantia de rentabilidade. Não é possível que alguém caia nessa, não é? Mas infelizmente, muita gente ainda cai.  

O movimento das pirâmides financeiras é cíclico, sempre retornando em momentos de fraqueza financeira do país, justamente nosso contexto atual. Recentemente, uma das maiores operações fraudulentas da história do nosso país foi desmascarada e milhares de brasileiros perderam dinheiro. Não raro, as pirâmides financeiras se disfarçam de marketing multinível e ainda chamam, como garotos-propaganda, personalidades  famosas (e queridas) do grande público.

O tema da moda sempre será um setor ou produto que desperte alto interesse em geral. Atualmente, as empresas fraudulentas têm usado iscas que envolvam robôs e energia solar, e as promessas sobre rentabilidade são tão ambiciosas quanto as oferecidas pelas pirâmides de criptomoedas em um passado recente: de 16% a 30% ao mês.  

As promessas costumam ser tão atraentes que os investidores sequer estranham a exigência de depósitos em contas correntes pessoais ou ainda, a necessidade de comprar “pacotes” (de qualquer indicador) para ter garantida a sua posição como participante ativo da empresa. Isso é tão preocupante que separei sete sinais que abrirão seus olhos na próxima vez em que alguém te falar do “investimento do século”. Mas antes vou compartilhar algumas curiosidades sobre esses esquemas. 

Por que se chama pirâmide financeira?  

Porque esse esquema é estruturado em níveis, exatamente como em uma  pirâmide. 

No topo da estrutura está o fraudador, que inicialmente convida um grupo  de investidores a aplicar dinheiro em um fundo ou em outro tipo de instrumento financeiro, com a promessa de altos lucros. Os investidores novatos passam a integrar automaticamente o degrau inferior da pirâmide. Ao longo do tempo, novos investidores são convidados pelos participantes mais antigos, passando a ocupar níveis imediatamente inferiores da pirâmide. A pirâmide é uma coisa viva, ela se movimenta: os novos entrantes vão subindo e os que já estão lá no topo, saem do  esquema.  

Só que com o tempo, essa estrutura toda desmorona. Por isso os primeiros a entrar e logo a sair, realmente acabam ganhando algum dinheiro.  

A lógica da remuneração é simples 

Os investidores mais antigos são pagos com os recursos dos novos participantes – para ingressar no negócio, os novatos devem investir um valor pré-determinado. Nessa operação não existe lucro real, apenas a utilização de dinheiro dos novos membros para pagar os membros mais antigos. Os retornos prometidos no início do investimento costumam ser entregues pelo fraudador como forma de mostrar que o investimento é sério e as promessas estão de fato sendo cumpridas. 

Lembra que falei que as pirâmides financeiras eram estruturas vivas? Elas  têm prazo de validade e tendem a ruir em algum momento. A principal razão é que, cedo ou tarde, haverá dificuldade em incluir novos participantes na operação, impossibilitando a manutenção de seu ritmo de crescimento. Com a falta de novos investidores, as receitas diminuem e o fraudador não tem mais capacidade de remunerar os mais antigos. As pirâmides sempre terminam mal: quem não saiu a tempo arcará com enormes prejuízos. 

E como não ser uma presa fácil em esquemas fraudulentos?  

Separei 7 sinais que vão te ajudar a identificar uma possível pirâmide. 

1. O Efeito Halo 

É comum que os fraudadores vendam uma imagem de investidores  bem-sucedidos, milionários e com supostos métodos de sucesso  financeiro comprovados. Não se deixe levar pelas aparências! Essa  tática é amplamente utilizada para recrutar novos membros para a  pirâmide – infelizmente, com relativo sucesso. É o que o campo das  finanças comportamentais chama de “Efeito Halo”, onde a mente humana julga e tira conclusões sobre outra pessoa a partir de  estereótipos.  

2. Prova Social de Sucesso Financeiro 

Sabe os eventos grandiosos com fotos de viagens dos fundadores e a coleção de carrões do dono do esquema como prova de que ele realmente ganhou dinheiro com isso? É exatamente disso que estou  falando. A ostentação é uma manipulação clássica usada para como prova da rentabilidade do negócio. 

3. É por tempo limitado!  

Para atrair novos participantes, os fraudadores costumam vender a ideia de que aquele investimento é valioso, exclusivo e trata-se de uma possibilidade única de conseguir altos retornos – e, chances assim não aparecem todo dia à nossa porta!  

4. Busca constante por novos integrantes. 

Geralmente o investidor é avisado sobre a necessidade de convidar familiares e amigos logo no começo do esquema, e os pedidos por novos integrantes são reforçados ao longo da vida útil da pirâmide. 

5. Rentabilidade garantida e nenhum risco 

Promessas de alta rentabilidade e de baixíssimo (ou nenhum) risco. Não há segredo: em finanças, risco e retorno andam de mãos dadas. Ligue o sinal de alerta para qualquer promessa de retornos elevados e garantidos, riscos baixos ou inexistentes e ainda, em um curto espaço de tempo.  

6. Não há registro nos órgãos reguladores 

As pessoas que caem nos golpes das pirâmides financeiras não costumam saber que é obrigatório, para que um investimento seja comercializado no Brasil, o seu registro de distribuição em órgãos como a CVM (Comissão de Valores Mobiliários). Essa consulta pode ser realizada facilmente no site da autarquia.  

7. Depósitos em contas pessoais 

E por fim, o fraudador pede depósito em conta corrente de pessoa física como forma de garantir a participação do investidor no esquema. Transferir recursos diretamente para contas correntes pessoais, ou para uma conta bancária de uma empresa sem registro na CVM é o último sinal de que algo não está certo. 

Eu finalizo esse conteúdo com um pedido sincero: compartilhe-o com as pessoas com as quais você se importa. Nos últimos anos, a CVM bateu o recorde de investigações de esquemas fraudulentos. 

Os golpes estão cada vez mais sofisticados e o remédio para não cair eles se chama educação financeira. Definitivamente não há como obter níveis de rendimento como os prometidos pelas pirâmides, legalmente.  

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Um beijo e vejo você no próximo conteúdo sobre finanças pessoais e  investimentos. Até mais!

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