Três pontos para analisar antes da compra mais importante da sua vida!

Três pontos para analisar antes da compra mais importante da sua vida!
Gestão financeira Guiabolso

Por Carol Stange, especialista em finanças pessoais

Arrisco dizer que a compra de um imóvel é o sonho de todo brasileiro, mas é preciso lembrar que não vivemos em um país com estabilidade econômica e política permanente. Os ciclos de aquecimento e desaquecimento da economia impactam no nosso custo de vida, no nosso salário, na rentabilidade dos nossos investimentos, na valorização ou desvalorização dos imóveis. É justamente por isso que precisamos tomar alguns cuidados antes de fazer uma dívida pelas próximas décadas.

Para ajudar você nessa aquisição tão importante, separei aqui 3 pontos que são essenciais para a sua análise:

Calcule quanto o seu novo estilo de vida irá custar

Vamos supor que a prestação do seu imóvel seja o equivalente a 30% da sua receita familiar total. Isso quer dizer que se você e seu cônjuge ganham juntos, R$15 mil reais mensais, R$4.500,00 serão destinados a parcela do imóvel. A família deverá viver com R$10.500,00 reais por mês.

Para entender o impacto desta prestação no seu estilo de vida, faça a seguinte simulação: transfira para um investimento, pelos próximos três meses, o valor da parcela que você pagaria pelo financiamento.  Ao final desse prazo, você já terá uma ideia do peso da parcela no seu dia-a-dia. É a melhor forma de você sentir a aquisição “na pele”, sem precisar arriscar a sua saúde financeira de verdade.  

Entenda que os custos não se resumirão ao valor da parcela

Você simulou o passo anterior e descobriu que consegue pagar a parcela do financiamento imobiliário de longo prazo? Fico feliz por você, mas você precisa lembrar dos custos extras. 

Para um casal jovem, sem filhos, comprometer 30% da sua receita pelos próximos 10, 20 ou 30 anos talvez não tenha um impacto tão negativo, mas e se (ou quando) os filhos vierem? E se (ou quando) algum dos pais desse jovem casal se tornar um dependente financeiro? E quando a casa precisar passar por reformas, sejam necessárias ou apenas desejadas?

Além do comprometimento da renda com o financiamento, é preciso lembrar do comprometimento gerado pelas despesas logo após a entrega do imóvel, como mudança, escritura, transferências e cartórios, pisos, armários e rateios iniciais inerentes à entrega do empreendimento. Como despesas recorrentes, é preciso lembrar da taxa de condomínio, IPTU e despesas de consumo como água, energia, internet, gás. 

Financie o menor valor possível

Os bancos não financiam 100% do imóvel. O sistema Taxa Fixa da CEF anunciou recentemente que financia até 80% do valor do imóvel e é a opção com maior percentual oferecida pela instituição. Vamos supor que você dê 20% de entrada em um imóvel de R$350.000,00. Isso significa R$70.000,00 de entrada e R$280.000,00 de financiamento – ou seja, seu valor de entrada é considerado baixo.

O que nem sempre é divulgado e diz respeito exatamente ao valor da entrada, é quanto maior o valor financiado, menores as chances de ter o seu financiamento aprovado. Dando uma boa entrada, menor será a sua dívida; quanto menor a sua dívida, menor pode ser o prazo do financiamento. 

Quanto menor o prazo e menor a dívida, menos dinheiro você vai gastar pagando juros e taxas para o banco. Além dessa ser a forma mais fácil de negociar descontos e ter a preferência de compra, matematicamente, a melhor opção sempre será poupar e investir o seu dinheiro antes de comprar o imóvel. Pense comigo: se você pode poupar um bom percentual da sua renda para pagar uma dívida, ou seja, para pagar juros e taxas para um banco, por que não fazer a mesma coisa ganhando juros e tendo o tempo como seu aliado?

Esses são apenas alguns dos cuidados importantes que você deve se atentar ao comprar um imóvel, e por favor, não deixe para prestar atenção a eles quando já estiver enfrentando dificuldades. Alguns detalhes podem parecer pequenos, mas estamos falando de um comprometimento financeiro pelas próximas décadas – o longo prazo maximiza todos os eventuais desconfortos financeiros, acredite.

Um beijo e vejo você no próximo conteúdo sobre finanças pessoais. Até mais!

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